A mulher do cachecol cor de… rosa.
Tudo envelhece ao pesar dos olhos, e com a concepção de valor emocional e respeito que temos, decidimos se o envelhecer se torna algo lindo ou ultrapassado para ser apreciado por nós. E a regra se aplica às fotografias desbotadas na última gaveta, as cartas rasgadas e praticamente ilegíveis dentro de alguma caixa debaixo da cama, ou os ursos velhos de alguém especial quando se precisa da prateleira para colocar coisas novas em seu quarto. Há um momento na vida no qual decidimos se deixamos objetos em nosso quarto ou se os trocamos por coisas novas e os colocamos no porão. É nesse momento de conflito pessoal, que dura segundos para a pessoa que tem que trocar, mas dura o eterno decisivo para aquilo que é trocado, que podemos observa o quanto algo significa para alguém. Portanto, quanto vale um amigo? Vale uma felicidade, muito dinheiro, a realização de um sonho, ou quem sabe vale um amigo melhor? O que podemos usar para medir o valor de uma amizade? Audaciosamente ouso em pensar em uma resposta.
Conhecê-la em um dia qualquer – o qual não tenho a mínima recordação de data – teve tudo para ser obra do acaso momentâneo, em que apenas palavras trocadas durante uma semana, quem sabe, fosse o suficiente para preencher a necessidade do momento. Surpreendentemente, a semana alcançou meses, e meses se tornaram momentos de pura felicidade, onde a relação não se tratava apenas de quantidade de risos, mas sim a facilidade para arrancá-los um do outro. Sempre é assim, não? Desfrutamos de algo que tanto queremos até gastá-lo ao máximo, se preocupando sempre em desfrutar o agora. Mas crianças crescem, e os brinquedos tornam-se ultrapassados, hora de serem substituídos: é hora de encarar o sol sem colocar a mão na frente ou juntar as sobrancelhas. Quanto vale uma amizade então?
Ao meu ver, você sempre foi a menina que gosta de rosa, que ri engraçado e longamente – riso contagiante, diga-se de passagem –, que não tem medo de falar as coisas que pensa, mesmo que elas não sejam as melhores a serem ditas a quem gosta. Bem, eu não mais abro o canto da cortina para ver o sol e sorrir com qualquer piada que você tenha feito sobre isso, não corro para o notebook para ver sua última postagem sobre nossa piada interna, não assisto aquele programa que tanto comentávamos e penso que isso é demais ao ponto de rir muito – um sorriso rápido basta antes de trocar o canal. Quanto vale uma amizade então?
Compartilhamos alegrias, dúvidas, pesares, desastres, momentos de mudanças, mas ainda continuamos aqui. Ao olhar pro passado em busca do que não temos mais hoje, nós somos domados por um alívio que pressupõe a culpa. Afinal, deve ter um jeito para fazer as coisas durarem para sempre. Por que algumas pessoas casam para sempre? Por que alguns adultos ainda guardam consigo um lençol velho de infância? Tenho duas respostas: ou as pessoas têm o mesmo sentimento do começo, ou elas aprendem a entender o jeito que as coisas se transformam e estabilizam; afinal, a vida é isso.
Fico feliz por você, fico mesmo. É bom ver que você tem o que merece, porque merece sim toda a felicidade que te circunda. Posso te desejar saúde, paz, felicidade, dinheiro… o que quer que seja, mas nada é tão significativo e importante como o que estou preste a dizer. Além de tudo isso que se deseja em um aniversário – por favor, não me faça numerar coisas as que já estamos cansados de saber – , quero lhe dar uma dica, que você talvez deva já estar aplicando ou talvez esteja apenas em sua mente porque você tem medo de executar, mas não deixe o passado ser decisivo o suficiente no seu futuro. Passado é o pesar, futuro é desejo e sonho. Se você acredita tanto em sonho – digamos então que seja ser escritora –, não se arrependa de ter que tirar um urso da prateleira para colocar mais alguns livros. Amizade não é a extensão ao eterno, mas sim a compreensão dos seus desejos, dos nossos desejos e os desejos do outro. Quem te ama de verdade, vai entender suas decisões; e, quando não, bem, elas vão te perguntar. Não tenha medo do futuro só porque ele ameaça com a ausência do passado.
Aliás, o porão ainda faz parte de sua casa.
Quem te conhecer agora talvez ache que aquela pessoa alegre tentando pegar o cachecol que dança ao vento seja uma garota, mas quem te conhece, quem vive também seus passos, sabe que aquela fotografia não é a mesma de meses atrás, porque nada escapa do pesar dos olhos.
Se a sinceridade não foi suficiente, apele para o que construímos durante todos esse tempo. Tudo de bom para você, e me desculpe se não tenho paciência para enumerar o óbvio. Um brinde a você, à sua vida, à sua felicidade. Mais um ano, mais história enfim.
Bárbara MA melhor pessoa que poderia ter “ao meu lado”.
Obrigada por tudo , é o principal obrigada por sair de Ribeirão Preto para vir me ver . Você não faz idéia do quanto eu esperei nesses 3 anos por um abraço seu .


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